A Quinta de S. Lourenço é uma antiga propriedade romana vocacionada para a produção vinícola.

Localiza-se no lado norte do Distrito de Lisboa, a cerca de 20 km a oriente do Oceano Atlântico, entre as serras de Montejunto e Todo o Mundo. Os seus terrenos são constituídos por arenitos e calcários do período Secundário.

 

É habitual, durante as lavras que se fazem nas vinhas aparecerem vértebras dos grandes dinossauros do Jurássico que viveram há mais de 170 milhões de anos.

 

O primeiro proprietário que se conhece da quinta foi Lucrécio Lupo, um romano, que ali habitou nos finais do século II ou inícios do seguinte da nossa era.

 

Tudo leva a querer que o vilicus (caseiro) da quinta era Lucrécio Galego, sendo sua mulher Lucrécia Maura. Na capela da quinta existe um grande cipo tumular com uma inscrição em latim dedicada a um filho dos caseiros que terá falecido quando tinha 23 anos de idade.

Cipo tumular

Descrição cipo tumular:

D(is) M(anibus)
CALLAECIONI
LVCRETI(i) LVPI SER(vo) AN(norum)
XXII[I] (trium et viginti)
LVCRETIVS CALLAECVS
ET LVCRETIA MAVRA
F(ilio) ¥ PIENTISSIMO ¥ F(aciendum)
¥ C(uraverunt)

Aos deuses Manes.

A Galecião, escravo de Lucrécio Lupo, de 23 anos
Lucrécio Galego e Lucrécia Maura mandaram fazer ao filho modelo de piedade.

Historiador Guilherme Cardoso

Curiosamente o cipo foi posteriormente reaproveitado, apresentando ranhuras para fixação de barrotes de um sistema de prensa de lagar usado na antiguidade tardia, o que evidencia a grande produção de vinho já naquela época.

 

Só em 1190, no reinado do segundo rei português, D. Sancho I, é que nos aparece referida novamente a herdade e a sua casa. Foi então adquirida pela colegiada de Santa Marinha do Outeiro, de Lisboa.

 

A propriedade produzia então vinho, cereais e gado. Era constituída por terras lavradas e incultas, onde pastavam os animais e existiam matas onde se extraía a madeira necessária para construções e combustível.

 

Foi nessa data que ali se construiu a capela de S. Lourenço, em estilo românico, de onde sobressaem as colunas com os seus capitéis e mísulas decoradas com motivos geométricos e vegetalistas.

 

O cipo tumular romano foi então aproveitado para apoiar a parede norte do arco da capela norte onde ainda se encontra.

 

Em inícios do século XVI recebeu a capela melhoramentos sendo então forrada de azulejos hispano-árabes de arestas, dos quais restam uns poucos aplicados nos degraus do altar-mor.

Francisco Pedro Gorjão de Mendonça

Nos finais do século XVII adquiriu a Quinta de S. Lourenço Monsenhor António José Gorjão. O seu irmão Francisco Pedro Gorjão de Mendonça, fidalgo e cavaleiro da Ordem de Cristo herda-a e instituiu Morgado e Capela com cabeça nela.

 

Francisco Gorjão foi governador de Paraíba (Brasil) durante seis anos, da ilha da Madeira durante onze anos, em Maranhão e Grão Pará mais cinco anos. Após a sua morte foi enterrado na capela de S. Lourenço sob laje armoriada com o seu brasão.

Tumulo Francisco Gorjão

Em 1908 a quinta continuava a pertencer à família dos Gorjões, sendo então seu proprietário Nuno Gorjão Henrique.

 

Ainda no século XIX, esta quinta foi adquirida pelo Julião Pedro, sendo gerida até aos dias de hoje pelos seus familiares.

Julião Pedro

Após 1800 anos, grande parte da propriedade continua a ser utilizada na tradicional produção de vinhos regionais de qualidade.